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Artigos › 27/08/2018

Misericórdia e conversão

Era meu desejo fazer, neste artigo, uma análise do momento em que vivemos. Que pretensão! Logo percebi os desafios de uma tarefa como essa, pois uma análise pode ser muito ampla e, mesmo assim, incompleta; pode ter a pretensão de ser “a” análise e de não levar em conta que um ponto de vista é simplesmente a vista de um ponto. Não existe imparcialidade; só Deus é objetivo e imparcial. Numa análise, o máximo que se pode fazer é o esforço para ser objetivo – mas nossas observações serão sempre o resultado de nossas próprias ideias e convicções.

Uma análise começa mostrando suas limitações na escolha do assunto a ser abordado. Que assunto escolher? Qual o mais importante? Aquele que afeta diretamente a minha vida? Aquele ao qual a Imprensa está dando maior destaque?

Ciente dessas limitações, apresentarei aqui o meu ponto de vista. E me limitarei, neste artigo, a uma análise sobre a ação da Igreja. Mesmo assim trata-se de um desafio imenso. Por isso, restrinjo-me à ação do Papa Francisco nestes seus cinco anos de pontificado.

Longe de mim querer ser o analista do Papa. Desejo, sim, tentar conhecer, compreender e apresentar os ideais e objetivos que se encontram na base de suas alocuções, escritos, decisões etc. – enfim, que estão na base de seu pastoreio.

Percebe-se que há uma linha-força no pontificado do Papa Francisco: a misericórdia. Desde a sua primeira alocução dominical, ele sempre tem voltado a esse tema. Escreveu muito sobre a misericórdia e refere-se a ela em cada homilia que faz, em conversas pessoais ou cartas.

O que o Papa Francisco entende por “misericórdia”? Deixo que ele mesmo responda: “é a fonte da alegria, da serenidade e da paz; é a condição de nossa salvação; é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade; é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro; é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida; é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado” (11.04.15). Conforta-nos saber que “Deus nunca Se cansa de perdoar; somos nós que nos cansamos de pedir a sua misericórdia” (Papa Francisco, EG,3).

A insistência que o Papa Francisco dá ao tema da misericórdia, longe de ser um incentivo à mediocridade é um renovado apelo a sermos coerentes com a fé que recebemos e, particularmente, com o amor de Deus, que nos envolve. Se Ele nos ama tanto, e está sempre pronto a nos perdoar, como permanecer indiferentes a seu amor? Como não amar aqueles que Ele ama?… A consciência da misericórdia divina muda vidas, muda o mundo – muda, particularmente, nosso coração.

Por Dom Murilo Krieger – Arcebispo de São Salvador da Bahia – Primaz do Brasil (Via CNBB

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